Eu e o BurnOut

Olá pessoal,

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo ótimo! Vou compartilhar com vocês um texto que escrevi no dia 05 de março de 2018, quase 2 anos atrás. Acho que só nessa época que comecei a falar sobre o que passei durante o final do doutorado. Não foi fácil passar por tudo, nem admitir que eu tinha um problema e que eu precisava de ajuda. Por isso, compartilho com vocês um pouquinho do que foi para mim e espero que auxilie alguém que esteja passando pelo mesmo processo pelo qual passei.

“Não sei se vocês repararam, mas dei uma diminuída nas minhas atividades por aqui… O motivo disso é principalmente o vai-e-vem do efeito da síndrome de burnout em minha vida!

Bom, acho que a ansiedade está presente em meu meio e consequentemente em minha vida por um bom tempo. Eu sempre tive problemas com o sistema educacional e com provas e testes e, por conta disso, eu ficava (e ainda fico) muito nervosa (ansiosa) quando ia fazer alguma prova importante, como as provas de vestibulares. Na época em que eu fiz, não tinha essa possibilidade de fazer prova no ENEM para disputar uma vaga… Eram 3 dias de provas de vestibular, 4h30 de prova cada dia… Muito desgastante! No final das contas, eu só consegui passar depois da minha quarta prova de vestibular, na UnB, todas para o mesmo curso, Ciências Biológicas.

Hoje, fazendo uma retrospectiva da minha vida acadêmica toda, vi que sempre levei muito a sério os prazos, ficava ansiosa e nervosa em apresentações orais, como apresentação de pôsteres, seminários, etc. Algumas vezes chorava antes e/ou rolava aquela diarreia sinistra, desencadeada pela síndrome do intestino irritável. Enfim, como vocês podem vem, uma vida ansiosa pacas! Graças a pressões tanto internas quanto externas.

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E, apesar de isso ser relativamente comum entre os alunos de mestrado e de doutorado, pouco se fala sobre emoções na academia. É um tabu. É “normal” você passar por isso, sem reclamar e sem fazer muito alarde sobre isso, pois “todos passaram por isso, normal você passar também!” (e repetir o padrão torto disso tudo). Sempre achei estranha a aceitação de todos nesse processo de sentir que está uma merda, que o sistema em si está levemente torto, mas ter que demonstrar e dizer que está tudo bem.

Bom, não está tudo bem. Tanto que a taxa de alunos com depressão na graduação e na pós está aumentando. Algumas taxas podem ser vistas nessas reportagens: dados da UFMG, mais da UFMG, dados da USP, dados do brasil e do mundo.

Mas, não serei tão ‘xiita’ e dizer que isso é culpa do sistema como um todo. É culpa dele também, mas é nossa culpa, como sociedade, achar que falar sobre saúde mental é um tabu, é coisa de maluco e/ou que ter problemas mentais não é uma coisa normal. TODOS nós, em qualquer situação da vida, podemos desenvolver/ter alguns transtornos mentais. Se você tem uma mente e vive, pronto! Está apto a desenvolver algo. Isso quer dizer que você irá desenvolver? Não! Da mesma forma que para ter algum problema no joelho, basta você ter um joelho! Mas quer dizer que todos que tem um joelho desenvolverão uma doença nele? Não.

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Pois bem! Temos que aprender a lidar com a saúde mental da mesma forma (ou melhor) do que lidamos com a saúde física. Ela é tão ou mais importante que o nosso físico. A forma como enfrentamos as situações da vida e encaramos nossas emoções é a peça chave para termos uma boa saúde mental. Só que, infelizmente não aprendemos isso em lugar NEHUM!! E aí é que está a merda! Temos educação física desde o primário, mas educação emocional não temos. Não sabemos apreciar o silêncio e/ou lidar com ele; não aprendemos a ter autocompaixão e saber respeitar nossos limites e, por isso, acabamos dando ouvidos muito mais ao externo, as aparências, aos mesmos (des)aprendizados de nossos mentores de vida e continuamos repetindo um padrão, que não é seu, mas que foi imposto.

Aí a ansiedade vem, o transtorno emocional vem, se instala, porque você fica negando isso tanto tempo… Porque, afinal, você aprendeu que “quem tem transtorno é doido” e você está longe disso, que falar de depressão, ansiedade, pânico, estafa mental é tabu demais e você não quer ser diferente, mas sim ser aceito pelo grupo, então prefere fingir que está tudo bem. Só que internamente nada está bem, o caos só aumenta e você não pede ajuda, porque você não aprendeu a pedir ajuda nos momentos difíceis. Aprendeu que deveria encarar tudo o que viesse, que é o normal, pois tantos antes de você já passaram por isso e se deram bem… Bem para quem? Quem garante que os que passaram antes estão bem? Ou estiveram bem quando tiveram que passar por isso? Já que vivemos de aparências, quem garante isso?

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Eu fui dessas pessoas que extrapolei os limites, que aprendeu a lidar com tudo o que aparecia sem pedir ajuda, porque eu dava conta de tudo e/ou precisava dar conta de tudo. E a vida tem me mostrado há anos que eu não preciso ser assim… Meu corpo vem me alertando isso há anos. Ganhei um lesão aos 17 anos de idade, por ultrapassar meus limites físicos. Treinava e competia com dor, mas não falava para ninguém. Até que não deu mais. Mas, aparentemente, essa lição não me foi o suficiente. E continuei extrapolando meus limites mentais e físicos, especialmente no trabalho/estudo.

No segundo ano de doutorado tive uma estafa mental seguida de um travamento de quadril (outra lesão). Tratei, mas como o estímulo continuou, eu continuei, tomando cuidado para conseguir ao menos finalizar o doutorado. No final de 2016, em que meu deadline estava acabando, eu chorava todos os dias em casa. E foi assim até um pouco depois da defesa. Eu voltei a ter estafa, voltei a não dormir (dormia de 3h em 3h horas…), tive fobia social, tive sintomas de pânico, ansiedade crônica, enjoos constantes, enxaquecas e depressão. Mas, apesar de algumas pessoas queridas me oferecerem ajuda eu recusei, pois não queria nem podia pensar nisso naquele momento, pois eu precisava terminar o doutorado para conseguir retomar minha “vida normal”.

(“Normal seria chato, não seria?”)
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Logo depois de entregar a tese escrita, eu fui procurar uma psicóloga e um psiquiatra, pois sabia que precisava tomar algo, pois minha bioquímica já estava toda bagunçada. Não foi fácil para eu admitir que precisava tomar algo. Porque, quem toma remédio psiquiátrico é louco, né verdade? Já pensei muito assim, até ver amigos, familiares e eu passarem por isso e perceber que não! Que o que está errado é todo esse tabu que permeia os transtornos mentais, que alguns já tiveram um dia e que outros terão em breve. Acredito que TODOS passarão por isso um dia, em maior ou menor grau… Pois é normal, faz parte da vida, assim como faz parte lesionar o joelho por correr, ou cair (ou levantar da cadeira de maneira torta, como foi o meu caso! ehehehe).

E cá estou eu, quase 1 ano depois, ainda tendo que lidar com os efeitos disso tudo. Depois do doutorado, ainda não tive férias, nem um descanso considerável. Até porque eu desaprendi a descansar. Não sei como é relaxar… E eu preciso de ter tempo para reaprender isso também! E está tudo bem! Sei que o tratamento é longo, que preciso reaprender a fazer as coisas devagar, a modificar meu ritmo de trabalho e de vida. O bom é que durante o doutorado eu (re) aprendi a meditar e tenho feito com mais frequência, o que ajuda bastante. Também estou aprendendo a dizer não, a respeitar meu corpo, a respeitar as pausas que necessito e a respirar. Um aprendizado diário e constante, sempre presente, senão, acabo voltando ao ritmo anterior, que é de agitação, frenesi e ansiedade.”

Hoje, continuo neste aprendizado. Não é fácil dizer para a minha mente que eu preciso parar, que preciso reaprender a relaxar “à força”! Continuo tomando medicamento e fazendo de tudo o que eu posso para melhorar meu estado mental e físico. Ainda há muito a fazer. E, por isso, continuo a nadar…

(“Apenas continue a nadar, continue a nadar”)
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Publicado por Carol Bernardo

Sou a Carol. Também sou bióloga, ecóloga e economista, bailarina, mãe de duas cãs, professora universitária, pesquisadora por paixão, vascaína por opção, carioca de nascimento, brasiliense de coração e escritora nas horas vagas.

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