Histórias de uma bióloga/ecóloga de campo 5

Hoje contarei uma história passada nos pampas gaúchos, quando fui estagiária da Ju Bosi de Almeida durante seu doutorado.

Não sei se você sabe, mas lá reside uma das cobras mais agressivas (e venenosas) do Brasil, a cruzeira (ou urutu).

Simpática ela, não?

“Não”*Giphy

Pois bem! Onde percorríamos para observar as aves e anilhá-las era possível se deparar com um bichinho fofo desse!

Durante três semanas fizemos nosso campo tranquilamente, sem avistar ou ter um encontro com nenhum bicho desse. Só uma jararaquinha que a Ju quase pisou, mas deu nada!

(Adendo: A Ju não andava olhando para o chão ou tendo uma visão mais geral das coisas. Ela estava focada nas aves. Eu, a estagiária, sempre prestava atenção no nosso caminho e acabava que quem achava as cobras, antes da Ju pisar nelas e ser picada, era eu!)

Na quarta semana, a Ju precisou ir para outro local de observação, mas não queria deixar o grupo de maçaricos que estava na Estação Ecológica do Taim sem ser observado. E lá fui eu observar o bando que estava em uma fazenda, vizinha à sede da Estação.

Já tinha feito amizade com o Seu Valdomiro, caseiro que cuidava da fazenda e ele e o pessoal da Estação iria me dar suporte nesse dia, em que eu ficaria por mim mesma. Seu Valdomiro gostaria de me emprestar um cavalo para que eu pudesse fazer o trajeto da Estação até a fazenda, mas eu tenho pânico de cavalo! P-Â-N-I-C-O!! De chorar e dar chilique mesmo!

*Giphy

No final das contas, conseguimos arrumar uma bicicleta, daquelas BMX bem antiga, que não dava nem para arrumar o banco mais e quando pedala, seus joelhos sobem acima do nível do quadril. Para mim foi a salvação!! Um meio termo entre ir a pé (e ter a probabilidade de ser picada pela cruzeira) e ir a cavalo.

No dia da observação foi tudo joia! O pessoal da Estação me deixou lá na fazenda cedinho, fiz minhas observações pela manhã. Seu Valdomiro me emprestou a bicicleta para que eu retornasse à Estação. De tardezinha, fiz o mesmo trajeto, em direção à Fazenda para olhar e marcar no GPS onde os animais iriam dormir. E retornei já escurecendo para a Estação.

Tudo tranquilo! Foi mara e tudo deu certo!

(“Fantástico!”) *Giphy

A Ju voltou e no dia seguinte fomos pela manhã no local onde tinha ido e anotado no GPS, para ver se os bichos estavam ali ainda. Tudo mara! Anotamos alguns comportamentos, observamos mais a movimentação, vimos se conseguíamos enxergar algum anilhado no grupo. Tudo perfeito. Recolhemos , entramos na caminhonete e voltamos para a Estação pelo mesmo caminho que tinha percorrido de bicicleta no dia anterior.

A estrada era de terra, com umas “calhas” naturais nas laterais. A Ju dirigia devagar, porque sabia que era caminho onde os bichos atravessavam de um “verdinho” a outro.

De repente algo cresce no lado do carona, onde eu estava sentada, pela janela. Um susto!

Advinha quem era?

*Giphy

Você acertou se disse a cruzeira! 😉

Ela deu um bote na caminhonete! Para você ver o tanto que é uma cobra tranquila! (toques de ironia e sarcasmo!). UM DIA DEPOIS de eu ter passado pela mesma estrada de bicicleta!! Pense no estado em que fiquei?

A Ju parou o carro, porque ambas levaram susto! E também queríamos ver se a cobra não tinha se machucado. E também para ela falar: “Ainda bem que seu vidro está fechado, hein?”. Quase me caguei, literalmente!

*Giphy

Ainda bem que eu e a cruzeira ficamos separadas por 24h de distância! ❤

E, só para constar, não tenho medo de cobras. Tenho medo de aranhas. Mas, lá no Sul, o pessoal da Estação contou tantas histórias sobre a cruzeira que a gente acaba se impressionando e ficando com medo. Realmente, é uma cobra bem agressiva. E ainda bem que nunca nos cruzamos, cara a cara!

Publicado por Carol Bernardo

Sou a Carol. Também sou bióloga, ecóloga e economista, bailarina, mãe de duas cãs, professora universitária, pesquisadora por paixão, vascaína por opção, carioca de nascimento, brasiliense de coração e escritora nas horas vagas.

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